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26 de abr. de 2011

Crítica: "Sete e a Mesa" - Cia. Danças

Folha de S.Paulo - 26 de abril de 2011

    Tensão de “Sete e a Mesa” perde força na indefinição de suas problemáticas
    Clima nebuloso, luz baixa, uma mesa e sete pessoas. Esse é o ambiente inicial de “Sete e a Mesa” (2003), espetáculo da Cia. Danças – companhia paulistana criada por Claudia de Souza, em 1996.
    A cena sombria é proposital, pois está para revelar um jogo de tensões. Jogo que denota relações de possíveis perigos e conflitos nos encontros e desencontros dos corpos.
    Por vezes, os sete bailarinos apresentam situações aparentemente perigosas. Por exemplo, o momento em que o bailarino Junior Gonçalves fica vendado em cima da mesa, caminha até perder o contato e cair no chão. 
    É comum ver nas produções de arte contemporânea, cenas em que o artista se coloca em situação real

16 de abr. de 2011

Crítica: "Ten Chi" - Pina Bausch

Folha de SP - 16 de abril de 2011

    “Ten Chi” coreografa Japão leve e risonho
Espetáculo da companhia Tanztheater Wuppertal foi criado durante estadia dos bailarinos no país, em 2004
    Em tempos em que o Japão sofre com desastres naturais, a Companhia Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch (1940-2009) apresenta um Japão leve e risonho em “Ten Chi” – obra de 2004 que teve sua estréia agora no Brasil.
    “Ten Chi” é uma da série de coproduções que Pina fez com países diferentes. Essa, em específico, foi com a cidade japonesa de Saitama, onde o grupo realizou pesquisa de campo.
    O resultado cênico dessa pesquisa se configura como um álbum fotográfico, no qual o público pode

1 de abr. de 2011

Crítica: "Legend" e "Inquieto" - São Paulo Companhia de Dança

Folha de SP - 01 de abril de 2011

    O clássico e o contemporâneo da São Paulo Companhia de Dança
Com dois novos espetáculos, a cia demonstra que a multiplicidade é seu forte
    A SPCD (São Paulo Companhia de Dança) estreou dois novos espetáculos no último final de semana. “Legend” (original de 1972) de John Cranko (1927-1973) e “Inquieto” de Henrique Rodovalho, atual diretor artístico e coreógrafo da Quasar Cia. de Dança.
    “Legend” é um pas de deux neoclássico que impressiona por sua dificuldade técnica. Há momentos onde o equilíbrio entre os dois intérpretes é muito sútil, denota uma leveza que vai de encontro ao lirismo presente nos balés românticos.
    “Inquieto”, por sua vez, traz as inquietudes humanas traduzidas em movimentos articulados e

10 de mar. de 2011

Crítica: "Penetráveis" - Cia. Mariana Muniz

Folha de SP - 10 de março de 2011

    Hélio Oiticica cede munição autoral à Cia. Mariana Muniz
    As obras do artista plástico carioca Hélio Oiticica (1937-1980) são fonte inspiradora de muitos artistas da cena contemporânea.
    Atualmente, quem bebe dessa fonte é a Cia. Mariana Muniz de dança. O grupo, que já tem no currículo espetáculos "Parangolés" (2007) e "Nucleares" (2008), completa agora a trilogia em "Penetráveis".
    Em "Penetráveis", o verbo é jogar. O jogo é contornado pela narrativa um tanto cômica de Mariana Muniz, misturada à trilha sonora de Ricardo Severo e Loop B, que evoca a brasilidade musical das escolas de samba.
    A partir dessa premissa do joguete, a companhia se dispõe a pesquisar as mais diversas possibilidades de

5 de mar. de 2011

Crítica: "SÓS" - Key Zetta e Cia.

Folha de SP - 05 de março de 2011


    Key Zetta e Cia. constói vácuo a partir de Samuel Beckett
    A pesquisa artística do espetáculo "SÓS", da Key Zetta e Cia., começa nos textos "Fim de Partida" e "Primeiro Amor", de Samuel Beckett (1906-1989).
    Imersos nessa escrita, os seis criadores-intérpretes encontram literalmente o ritmo de sua dança.
    O trabalho fala sobre a condição humana e subjetiva de estar só.
    Pode-se dizer que isso gera o sentimento de solidão presente, de modo mais gritante, nos habitantes dos grandes centros urbanos.
    E, inevitavelmente, o trabalho aponta para essa condição em relação à dança contemporânea.

1 de mar. de 2011

Crítica: "Beije Minha Alma" - Cia. Fragmento de Dança

Folha de S.Paulo - 1 de março de 2011


    "Beije Minha Alma" peca por falta de contexto brasileiro
    Tracey Emin é uma artista plástica britânica que no final dos anos 90 causou polêmica devido as suas obras, vistas pelos ingleses como ousadas.
    A obra "My Bed" (1998), por exemplo, causou furor por mostrar a própria cama da artista desarrumada e suja, com resquícios de um momento de total desalento da artista.
    Foi principalmente nessa obra de Tracey que a Cia. Fragmento de Dança baseou a criação do espetáculo "Beije Minha Alma".
    A coreografia de Vanessa Macedo, diretora do grupo, se compromete a expor o universo íntimo do ser

17 de fev. de 2011

Crítica: "À Flor da Pele" - Balé Teatro Castro Alves


Folha de S.Paulo - 17 de fevereiro de 2011


    Coreografia de "À Flor da Pele" relembra obra de Pina Bausch
    O BTCA (Balé Teatro Castro Alves) não vem para inovar a dança contemporânea, mas coloca em cena questões importantes que devem ser repensadas.
    A companhia é formada por bailarinos com idades entre 35 e 60 anos, o que é um ponto que chama atenção.
    No Brasil, o comum de companhias de dança que tenham um número grande de bailarinos sempre foi bem diferente.
    Por muito tempo, a juventude imperou como um requisito fundamental para o profissional de dança estar no palco.
    O BTCA, prestes a completar 30 anos de existência, mostra que a idade não é empecilho para a