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11 de mai. de 2012

Crítica: "Bachiana nº1" - São Paulo Cia. de Dança

Folha de S.Paulo - 11 de maio de 2012


    Perfil de versatilidade da São Paulo Cia. de Dança esbarra em questão problemática
    A SPCD (São Paulo Companhia de Dança) não possui um coreógrafo fixo e, para criar um repertório versátil, sempre convida criadores renomados.
    Sua mais recente encomenda é o espetáculo "Bachiana nº1", assinado por Rodrigo Pederneiras – coreógrafo do Grupo Corpo –, que trabalhou a partir da obra musical de Heitor Villa-Lobos, a “Bachianas Brasileiras n°1”.
    A linguagem de Pederneiras é um conjunto de movimentos diferentes do balé e, para aprendê-la, é preciso tempo de amadurecimento.
    Logo, surge uma problemática: como é possível em pouco tempo de ensaio condicionar os corpos dos

11 de ago. de 2011

Crítica: "Sem Mim" - Grupo Corpo


Folha de SP - 11 de agosto de 2011

    Grupo Corpo afirma seu grau de excelência na dança com “Sem mim”
    Ondas que levam tristezas, trazem alegrias. Na costa do Mar de Vigo, região da Galícia, o Grupo Corpo buscou material poético para criar “Sem Mim”, seu novo trabalho. 
    Do outro lado do oceano trouxeram a poesia galego-portuguesa das “cantigas de amigo”, do poeta Martín Codax (século 13), nelas estão reveladas as lamentações das mulheres que viam seus homens partirem ao mar sem saber se iriam voltar.
    As canções trovadorescas chegaram ao Brasil na época da colonização, sua melodia e métrica foram absorvidas e recriadas no ambiente de misturas brasileiro. 
    O rico encontro musical das diferentes culturas gerou a trilha composta por Carlos Núñez e José Miguel Wisnik. A musicalidade considerada típica brasileira é assunto recorrente na dança ou no teatro, porém dificilmente se consegue fugir dos clichês aos quais essa temática está condicionada.
    “Sem Mim” se afasta do óbvio ao apresentar uma pesquisa pautada no elo de ancestralidade entre Europa e América, destrinchando-o na sonoridade contemporânea. 
    O lirismo feminino presente nas “canções de amigo” encontra seu referencial na música popular brasileira, o que fica visível nas junções instrumentais e vocais. O mesmo refinamento acontece na movimentação. A companhia realiza com maestria o transito de informações que, vale lembrar, serve como princípio condutor da formação de uma cultura mestiça. 
    A dança do Corpo tem por excelência a característica rítmica brasileira somada ao balé clássico. Os movimentos sinuosos aparentes principalmente na coluna e quadril dos bailarinos lembram a ondulação do mar, mas também remetem ao “gingado” do samba marcado pelo pandeiro.
    Em cenas delicadas, a notável sensibilidade se afirma como assinatura do coreógrafo Rodrigo Pederneiras. 
    O conjunto de coreografia, trilha sonora, cenografia e figurino desenham a estética virtuosa da obra que guarda extrema coerência com a linguagem lapidada por mais de 30 anos de existência do grupo.

Avaliação: Ótimo