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11 de nov. de 2011

Crítica: "Área Reescrita" - J.Gar.Cia Dança Contemporânea

Foto: J.Gar.Cia Dança Contemporânea em "Área Reescrita" - © Silvia Machado

    Formas de ocupação dos espaços é tema em "Área Reescrita"
   O espaço que a dança ocupa é determinante no seu resultado. Essa sentença se afirma na peça “Área Reescrita” – última produção da J.Gar.Cia de Dança Contemporânea.
    Desde a sua estreia, há um ano, é a terceira vez que o trabalho está em cartaz. Sempre em locais não convencionais. Logo, a cada temporada, o espetáculo se adapta a uma nova instalação. 
    As realocações combinam muito com o assunto que a companhia aborda. Os bailarinos pesquisaram nas ruas de São Paulo: o vai-e-vem dos transeuntes, o barulho polifônico da cidade e as figuras inusitadas. Tudo virou material de criação para as cenas. 
    O lugar dessa vez é o Centro Cultural Rio Verde (os anteriores foram Teatro Oficina e porão do Centro Cultural São Paulo). A primeira parte de “Área...” se passa na varanda do espaço. 
    O público entra e os bailarinos já estão por ali, cumprimentam os conhecidos, observam e caminham. O

25 de out. de 2011

Crítica: "Tatyana" - Cia. de Dança Deborah Colker

Foto: Cia. de Dança Deborah Colker em "Tatyana" - © Jane Hobson

    Virtuose de Colker se mostra sem vigor ao narrar obra clássica
    Assistir um espetáculo da Companhia de Dança Deborah Colker é assitir um grupo que domina um alto nível de dificuldade técnica. O que não garante uma dramaturgia bem-sucedida. 
    “Tatyana”, a nova coreografia de Deborah Colker, é inspirada na obra “Evguêni Oniéguin”, de Aleksandr Serguéievitch Púchkin (1799 - 1837), considerado fundador da literatura russa moderna. 
    O romance trata da narrativa de Oniéguin, um jovem cosmopolita que recusa o amor de Tatyana, uma camponesa. Anos mais tarde, reencontra-a transformada em uma bela dama. Dessa vez ele se apaixona, porém ela está casada. Logo, é a vez dele ser rejeitado. 
    Qualquer semelhança com enredos de novela não é por acaso: a crônica do amor rejeitado se tornou
popular nos folhetins. 
    Presente no imaginário comum, esse tipo de narrativa parece ser de fácil compreensão. Todavia, para a

17 de out. de 2011

Crítica: "Vertical Road" e "Gnosis" - Akram Khan Company

Foto: Akram Khan Company, espetáculo "Vertical Road" - © Richard Haughton


    Dança de Akram Khan se destaca ao falar de espiritualidade
Em passagem rápida por São Paulo, Akram Khan Company apresentou duas excelentes produções
    Religião não se discute. Porém, é fato que o assunto “Deus” se tornou inerente à humanidade. Na dança, poucos artistas ousam tocar essa questão como faz o coreógrafo Akram Khan.
    Com os espetáculos, “Vertical Road” (2010) e “Gnosis” (2009), o britânico de família indiana fala de espiritualidade sem precisar se posicionar contra ou a favor de uma religião específica.
    Inspirado na filosofia Sufi, que resumidamente é um conjunto de práticas rituais realizadas com o intuito de autoconhecimento, Khan buscou a complexidade embutida nesse ambiente para transformá-lo em dança.      “Vertical Road” mostra a ligação do homem com a divindade: os bailarinos fazem movimentos que

29 de set. de 2011

Crítica: "Marguerite e Armand" - Ana Botafogo

Foto: Ana Botafogo e Federico Fernández em "Marguerite e Armand" - © Herique Pontual

    Botafogo se afirma como dama do balé clássico brasileiro
    A bailarina Ana Botafogo (54) esteve em São Paulo para comemorar os seus 35 anos de carreira, e também, 30 anos de atuação como primeira-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 
    Especialmente para a ocasião, encenou a peça “Marguerite e Armand”, de Frederick Ashton (1904 - 1988), inspirada no livro “A Dama das Camélias” do francês Alexandre Dumas (1824 - 1895).
    A primeira versão do balé foi concebida por Ashton em 1963 e criada por encomenda para as estrelas da época – Margot Fonteyn (1919-1991) e Rudolf Nureyev (1938-1993). 
    Sonho de bailarinas clássicas, dançar obras como “Giselle”, “O Lago dos Cisnes”, “Romeu e Julieta”, “O Quebra-Nozes”, entre outras, peças que estão no repertório da bailarina carioca.
    Para quem no balé fez tantos papéis de donzelas românticas, interpretar a cortesã de “A Dama das

10 de set. de 2011

Crítica: 7ª Bienal SESC de Dança

Folha de S.Paulo - 10 de setembro de 2011

    Bienal SESC de Dança apresenta vários caminhos para a dança contemporânea 
    Na 7° Bienal SESC de Dança, ocorrida em Santos entre os dias 2 e 8, foi possível acompanhar um trecho relevante dos caminhos da dança contemporânea. Caminhos que têm as mais diversas direções. 
    A dança contemporânea é uma arte que, assim como outras, tem fronteiras que a definem como linguagem específica, diferenciando-a de outras manifestações artísticas. Isso não impede, porém, a expansão contínua de seus limites.
    Baseados em inquietações pessoais ou questões sobre lacunas da sociedade de consumo, muitos artistas propõe para o território da dança contornos inesperados.
    Trabalhos de vários períodos e países foram apresentados no SESC, em teatros da cidade e em espaços

25 de ago. de 2011

Crítica: "O Lago dos Cisnes" - Ballet Kirov

Folha de S.Paulo - 25 de agosto de 2011  

    Kirov faz espetáculo morno com jovens em SP 
Tradicional companhia russa de balé se apresenta sem elenco principal; equipe mais experiente está em férias
    Como olhar para o romântico balé “O Lago dos Cisnes” dançado pelo célebre Ballet Kirov, e não se deslumbrar? 
    Essa é a questão que pode rondar o pensamento do público que foi assistir a tradicional companhia russa.
    Verdadeiros artistas da dança saltaram da Rússia para o mundo através do Kirov, escola de grandes nomes do balé, como Vaslav Nijinsky (1890-1950) e Anna Pavlova (1881-1931). 
    A companhia tem por fundamento manter a tradição das montagens de balé clássico. A união entre

11 de ago. de 2011

Crítica: "Sem Mim" - Grupo Corpo


Folha de SP - 11 de agosto de 2011

    Grupo Corpo afirma seu grau de excelência na dança com “Sem mim”
    Ondas que levam tristezas, trazem alegrias. Na costa do Mar de Vigo, região da Galícia, o Grupo Corpo buscou material poético para criar “Sem Mim”, seu novo trabalho. 
    Do outro lado do oceano trouxeram a poesia galego-portuguesa das “cantigas de amigo”, do poeta Martín Codax (século 13), nelas estão reveladas as lamentações das mulheres que viam seus homens partirem ao mar sem saber se iriam voltar.
    As canções trovadorescas chegaram ao Brasil na época da colonização, sua melodia e métrica foram absorvidas e recriadas no ambiente de misturas brasileiro. 
    O rico encontro musical das diferentes culturas gerou a trilha composta por Carlos Núñez e José Miguel Wisnik. A musicalidade considerada típica brasileira é assunto recorrente na dança ou no teatro, porém dificilmente se consegue fugir dos clichês aos quais essa temática está condicionada.
    “Sem Mim” se afasta do óbvio ao apresentar uma pesquisa pautada no elo de ancestralidade entre Europa e América, destrinchando-o na sonoridade contemporânea. 
    O lirismo feminino presente nas “canções de amigo” encontra seu referencial na música popular brasileira, o que fica visível nas junções instrumentais e vocais. O mesmo refinamento acontece na movimentação. A companhia realiza com maestria o transito de informações que, vale lembrar, serve como princípio condutor da formação de uma cultura mestiça. 
    A dança do Corpo tem por excelência a característica rítmica brasileira somada ao balé clássico. Os movimentos sinuosos aparentes principalmente na coluna e quadril dos bailarinos lembram a ondulação do mar, mas também remetem ao “gingado” do samba marcado pelo pandeiro.
    Em cenas delicadas, a notável sensibilidade se afirma como assinatura do coreógrafo Rodrigo Pederneiras. 
    O conjunto de coreografia, trilha sonora, cenografia e figurino desenham a estética virtuosa da obra que guarda extrema coerência com a linguagem lapidada por mais de 30 anos de existência do grupo.

Avaliação: Ótimo