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| Foto: Ana Botafogo e Federico Fernández em "Marguerite e Armand" - © Herique Pontual |
Botafogo se afirma como dama do balé clássico brasileiro
A bailarina Ana Botafogo (54) esteve em São Paulo para comemorar os seus 35 anos de carreira, e também, 30 anos de atuação como primeira-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Especialmente para a ocasião, encenou a peça “Marguerite e Armand”, de Frederick Ashton (1904 - 1988), inspirada no livro “A Dama das Camélias” do francês Alexandre Dumas (1824 - 1895).
A primeira versão do balé foi concebida por Ashton em 1963 e criada por encomenda para as estrelas da época – Margot Fonteyn (1919-1991) e Rudolf Nureyev (1938-1993).
Sonho de bailarinas clássicas, dançar obras como “Giselle”, “O Lago dos Cisnes”, “Romeu e Julieta”, “O Quebra-Nozes”, entre outras, peças que estão no repertório da bailarina carioca.
Para quem no balé fez tantos papéis de donzelas românticas, interpretar a cortesã de “A Dama das Camélias” parece ser um desafio bem-vindo.
Em “Marguerite e Armand” a bailarina divide o palco com Federico Fernández, solista do Teatro Colón da Argentina, e também contracena com o Balé Jovem do Rio de Janeiro.
As cenas são rápidas, a peça tem cerca de 40 minutos de duração, característica incomum em clássicos do balé.
O ritmo dinâmico torna o enredo envolvente, pois satisfaz os olhares menos pacientes, postura habitual em plateias cosmopolitas.
Em matéria de envolvimento, a interpretação de Botafogo não fica por menos. No palco, mantém a virtuosidade técnica de uma jovem e a interpretação expressiva de uma veterana.
Quando sua personagem, Marguerite, sofre pelo amor de Armand, os gestos e expressões faciais fazem o diferencial. As cenas são dramatizadas em tons realistas, se afastando de exageros caricaturais.
É aparente a preocupação em manter o vínculo com a primeira versão da montagem. Tanto que a música original, do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), é felizmente executada ao vivo pelo pianista Iván Rutkauskas.
Com sutileza e versatilidade, Ana Botafogo deixa sua assinatura na tradição do balé clássico e demonstra o porquê se tornou a bailarina mais emblemática no cenário brasileiro.
Avaliação: Ótimo
